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the war on drugs é a melhor banda de rock em atividade

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Há diversos motivos pelos quais o Foo Fighters surge a cada dois anos destruindo posições nos chartings, batendo recordes de visualizações e em streaming, lotando o Wembley em cinco apresentações em sete noites seguidas, etc. Alguns desses motivos, como a óbvia qualidade e energia que a banda transmite, são mais fáceis de apontar. Outros, como o inebriante carisma de David Grohl e do bateirista Taylor Hawkins, tem um efeito mais subliminar nas hordas de fãs da banda. O fator musical envolvido na composição de suas músicas, porém, segue sendo o ponto chave de um sucesso que nunca dá sinais de cansaço. Tão simples quanto o título de um de seus últimos triunfos, Run, é a fonte da explosão imaginativa de Grohl e cia.: os Foo Fighters fazem a música que querem tocar, não a que querem ouvir.

A explicação pode ser ativada para entender não só como funciona a crise criativa pela qual passa a música pop atual, mas também para melhor perceber as razões pelas quais bandas que participavam de um tornado indie em meados dos anos 2000 hoje lutam para serem minimamente relevantes. Se o Kasabian construiu carreira sob influência do Britpop dos anos 90, e em 2017 lançam um álbum como For Crying Out Loud, significa que estão agora fazendo músicas que eles queriam ouvir das guitarras de seus ídolos, e não necessariamente a música que eles querem que saiam das suas. Em que o outrora furioso Interpol se tornou, senão em uma banda cover de seu primogênito Turn On The Bright Lights? E o Pixies, após causar o maremoto que varreu a ineficácia do rock alternativo nos anos 80, hoje se esforça em ser uma banda que se pareça com o Pixies de verdade.

O pensamento de que essas bandas tocam o que querem ouvir (ou que acham que as pessoas querem ouvir) ao invés de tocar o que elas próprias querem criar tem variações dentro do mercado. Nunca foi tão fácil encontrar, por exemplo, grupos produzindo o que chamam “álbuns conceito”, onde escolhem um conceito temático e/ou alegórico para exercer sua música ao redor da funcionalidade deste conceito. De que outra maneira pode-se explicar porque Sufjan Stevens criou álbuns de duas horas inteiramente sobre figuras temáticas como “estados da federação dos EUA” ou “animais do horóscopo chinês”, e mesmo assim acabe por produzir discos tão pouco inspirados? E como analisar o fato de que em Carrie & Lowell, álbum nascido de um impulso emotivo (a morte da mãe, as lembranças e sentimentos invocados com a perda), Stevens tenha feito a melhor obra de toda a sua carreira?

Nem sempre a culpa é criativa. Pode ser também dos vários e poderosos fatores que compõem, controlam e sustentam o trabalho artístico de um músico de rock. Se a pressão de gravadoras nos trazem artistas de metal cada vez mais automáticos e menos inspirados a cada segundo álbum lançado (o que quase sempre resulta na fragmentação de integrantes), o clamor por um público mais abrangente impulsiona músicos a formatarem suas composições ao modelo de uma imagem que adotam para si. Assim pipocam, todos os anos, Alex Turners e Miles Kanes em gravações para cumprir tabela, vendendo na feira fonográfica várias coisas que não tem necessariamente a ver com música. Uma música que eles querem ouvir das guitarras tocadas por seus alter-egos, não a que eles pessoalmente querem compor.

O hábito e a arte de fazer música envolvem talvez as mais primitivas e explícitas emoções envolvidas num trabalho de criação. Na quietude de um quarto escuro e na solidão da companhia de um piano, um violão ou um bloco de notas, um compositor escolhe traduzir em palavras ou notas aquilo que está dentro de si. É um ofício íntimo, de onde surge a condução ao que existe de mais secreto em relação ao modo como um artista pensa, sente ou se comporta. Desse momento ao instante em que nossos ouvidos reconhecem as primeiras batidas o artista escolhe compartilhar o seu talento e dividi-los conosco. Conhecemos pessoas através das letras que escrevem, das letras que cantam, dos solos de guitarra que improvisam debaixo de luzes sob um palco em temperaturas de 30ºC.

É essa ligação involuntária e instintiva que transforma pequenos gênios em grandes ídolos, pequenas bandas em grandes escapes de energia. Compositores tímidos se tornam conselheiros, confessionários ambulantes em sintonia com os sentimentos e pensamentos mais secretos de quem está do outro lado do rádio. Não é possível se conectar com quem ouve se um dos lados da conexão se livrou do componente humano e escolheu o fator corporativo, “conceitual”, visual ou se simplesmente não houver honestidade.

É onde entra o The War on Drugs.

Adam Granduciel

Se alguém olhar a figura magra, cabisbaixa e mal-vestida que é Adam Granduciel andando na calçada e adivinhar que debaixo dos cabelos cumpridos e oleosos se esconde o maior compositor de rock da atualidade, seu sentido de percepção é aguçado, mas não totalmente sobrenatural: Adam Granofsky, 38 anos e natural de Massachussetts, virou exemplo do fenótipo atual de um rock star. Foram-se os topetes, os laquês, as roupas de couro, as botas e as maquiagens. Para a geração de Granofsky, é o suficiente que para que se seja ouvido, primeiro seja preciso ser entendido. E se há maneira melhor de entender uma pessoa senão pela forma como ela se veste para se apresentar em um show diante de 20.000 pessoas, ninguém até agora a conhece.

Faz sentido que Granofsky se vista e se apresente da forma como ele realmente é, assim, sem filtros. Seu plano inicial quando formou o The War on Drugs era apenas compor canções com quem dividiria no palco com o colega e co-fundador da banda Kurt Vile. E ali ficou, escondido nas sombras dos palcos, enquanto o companheiro recitava algumas das canções mais emocionalmente diferenciadas a surgir no rock alternativo em muito tempo. As plateias foram crescendo na mesma proporção das ambições. Kurt Vile saiu depois do segundo álbum, em 2011, em busca de carreira-solo. Granofsky tomou pra si as responsabilidades criativas do grupo e procurou refinar sua identidade musical.

Até que parou numa crise de depressão que o derrubou. O impacto foi tão intenso quanto prolífico: dele saiu o primeiro álbum da banda sem a contribuição de Vile, Lost in The Dream, projeto que consolidou a reputação da banda, que agora começava a despontar com ferocidade em rádios alternativas pelo mundo. Não como a “nova grande banda”. Muito menos como “Uma banda com futuro”. Aqui já era “uma das melhores bandas tocando atualmente no cenário alternativo”. Ainda assim, continuava escondida, emburrada e recolhida a figura central por trás do fenômeno. Granofsky até estampou a capa do álbum, mas o fez ao seu modo: de lado, braços cruzados e com o rosto enfiado dentro das madeixas.

Talvez pareça pouco chamar de “sucesso” o que provavelmente seja a “comoção” que o The War on Drugs causou com Lost in The Dream. Ali estava um álbum de camadas eletrônicas entrelaçadas com um espírito de folk e garagem. Um álbum que repetia quase manualmente as fórmulas musicais das bandas heartland dos anos 80. Letras cantadas, sussurradas, berradas – às vezes interceptadas com um “WHOOW” de êxtase conforme a música tomava corpo – pareciam se instalar na parte mais sensível do cérebro e ali permanecer por dias após a última faixa atingir o fim. Granofsky havia conseguido traduzir o seu eu em música. Havia conseguido explicar o que era o The War on Drugs e o que eles estavam ali para fazer.

Senão, como explicar uma banda que exibia tão explicitamente as influências de Bruce Springsteen, Bob Dylan, Neil Young e Tom Petty, e ainda assim parecia fazer o som mais original já ouvido? E como melodias tão rápidas, empolgantes e vivas conseguiam também passar tamanha sensação de melancolia? Como letras de teor tão desesperador ao mesmo tempo invocavam o mais intenso dos sentimentos de esperança? E de que forma conseguiu Granofsky, responsável solitário de todas as faixas no álbum, fazer com que tudo parecesse ter sido composto a seis mãos?

Como entender a intensidade com a qual a angústia e o desespero da solidão são evidenciados? (“Lá longe tem um sol negro se erguendo/ Tem uma lua por trás da chuva da meia-noite/ Como eu posso me aproximar de mim/ Como então ser livre?“). Uma construção de fantasias, se pode definir o conteúdo lírico de Granofsky, que se despe de bloqueios mentais e expõe o próprio consciente na praça pública que são as letras do álbum  (“Só estou um pouco abalado aqui agora/ É, eu estou completamente sozinho/ Vivendo no escuro”).

E se são assim fortes as estrofes, elas talvez não chamariam tanta atenção se não fossem cercadas de um trabalho coletivo tão primoroso. Como deixar de lembrar da bateria de Charlie Hall, que por vezes faz parecer que a banda toca em volta e por causa dela? Ou dos riffs do baixista David Hartley, que conduz toda a melodia na personificação exata de um maestro? Igualmente e mais claramente mítica é a participação do tecladista Robbie Bennett, que envolve toda a produção numa fita nostálgica e ao mesmo tempo futurística. Granofsky havia conseguido fazer, junto a eles, com que sua música fosse reverenciada antes que dê tempo de uma segunda ouvida. Três anos depois, as dez faixas do disco ainda batem com a mesma raiva com que foram lançadas na sua origem.

A Deeper Understanding

Não que três anos seja tempo o suficiente para se desacostumar do impacto psicológico de Lost in The Dream, mas é o tempo que levou para que Adam Granduciel reconstruísse suas motivações para fazer música. Uma depressão que quase o matou serviu de combustível para uma música que viria a ser o seu tratamento. E em A Deeper Understanding Granofsky dá o antídoto para a doença. A cura, para ele, está sempre no ofício de compor, de escrever, e de passar suas angústias, agora neutralizadas, para seus ouvintes em forma de uma outra obra-prima musical.

Se no disco anterior a cura estivesse sempre sendo sugerida, aqui ela é abraçada. Granofsky toma conta de sua vida novamente, o que se traduz em um álbum que de tão sólido, maduro e robusto faz com que seu antecessor pareça ter sido feito sob efeitos de alucinantes. A depressão, segundo Granofsky passa a ser um obstáculo deixado para trás, o qual podemos enxergar se virarmos as costas, mas para o qual jamais podemos voltar se estivermos apoiados no recife seguro do amor, das amizades e na construção de uma vida e família novas (“Estive prestes a cair pro outro lado/ E eu sempre continuo a me empurrar de volta“) canta ele com um ímpeto explosivo de felicidade na formidável Nothing to Find.

Bruce Springsteen ainda está lá, se fazendo presente em cada solo de Anthony LaMarca, ou de cada sugestão da presença de uma gaita solitária. Bob Dylan parece estar cantando do nosso lado, tamanho é o seu reflexo na voz de Granofsky. Ainda assim, não é possível disassociar a figura própria do The War on Drugs em cada minuto de A Deeper Understanding. Um caso raro – e precioso – do equilíbrio de uma banda com suas influências, e de como o resultado disso transpira originalidade pura.

Como em uma jornada psicológica para conhecer a si mesmo, passar pela discografia do The War on Drugs e culminar em seu último álbum é revelador tanto sobre a banda quanto sobre quem a ouve. Para nós, fica a identificação com cada doloroso desabafo de Adam Granofsky. E a certeza de que estamos sendo testemunhas a um tipo de música sendo feito por quem a quer fazer, não por a quem quer ouvir. Um tipo de música que leva tempo para surgir, mas que também demora para se dissipar no ar. Pois que estejamos para sempre envoltos na nuvem de fumaça do The War on Drugs.

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pitacos oscar 2017 palpites prêmios o oscar etc

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Melhor Filme
Deve ganhar
La La Land
Torço pra: Manchester à Beira-Mar
FaltouElle

Melhor Direção
Deve ganhar
: Damien Chazelle
Torço pra: Mel Gibson, Kenneth Lonergan
Faltou: Paul Verhoeven (Elle)

Melhor Ator
Deve ganhar: 
Casey Affleck
Torço pra: Casey Affleck
Faltou: Colin Farrell (O Lagosta), Adam Driver (Paterson)

Melhor Atriz
Deve ganhar: Emma Stone
Torço pra: Isabelle Huppert
Faltou: Amy Adams (A Chegada)

Ator Coadjuvante
Deve ganhar: 
Mahershala Ali
Torço pra: Lucas Hedges
Faltou: Patrick Stewart (Sala Verde), Devin Druid (Mais Forte que Bombas)

Atriz Coadjuvante
Deve ganhar: Viola Davis
Torço pra: Naomie Harris, Michelle Williams
Faltou: Gretchen Mol (Manchester à Beira-Mar)

Roteiro Original
Deve ganhar: Manchester à Beira-Mar
Torço pra: Manchester à Beira-Mar, O Lagosta
Faltou: PatersonDois Caras Legais

Roteiro Adaptado
Deve ganhar: Moonlight
Torço pra: Moonlight, A Chegada
Faltou: Elle

Filme de Animação
Deve ganhar: Zootopia
Torço pra: A Tartaruga Vermelha
Faltou: Your Name

Documentário
Deve ganhar: Eu Não Sou Seu Negro
Torço pra: Fogo no Mar
Faltou: Tickled

Filme Estrangeiro
Deve ganhar: O Apartamento
Torço pra: Toni Erdmann
Faltou: Elle

Trilha Sonora
Deve ganhar: La La Land
Torço pra: Jackie
Faltou: A Qualquer Custo

Efeitos Visuais
Deve ganhar: Mogli – O Menino Lobo
Torço pra: Kubo e as Cordas Mágicas
Faltou: O Bom Gigante Amigo

Melhor Fotografia
Deve ganhar: Moonlight
Torço pra: Silêncio
Faltou: A Qualquer Custo, Até o Último Homem

Canção Original
Deve ganhar: City of Stars, de La La Land
Torço pra: The Empty Chair, de Jim: The James Foley Story
Faltou: Loving, de Loving

Preferências – Melhor Filme

1- Manchester à Beira-Mar
2– Moonlight – Sob a Luz do Luar
3– Até o Último Homem
4– A Qualquer Custo
5– A Chegada
6– Lion – Uma Jornada Para Casa
7– Estrelas Além do Tempo*
8– Um Limite Entre Nós*
9– La La Land – Cantando Estações*

*NEM VI

top álbuns 10 melhores preferidos de 2016

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Creio ter escutado menos de 1% do total de álbuns de rock lançados esse ano. E precisei de uma dose estrogênica de boa vontade pra terminar de ouvir metade deles. Dentre a minoria que valeu a pena, esses foram os melhores:

– Iggy Pop – Post Pop Depression
2 – Slaves – Take Control
3 – Swans – The Glowing Man
– Michael Kiwanuka – Love & Hate
5  Leonard Cohen – You Want it Darker
6 – Savages – Adore Life 
7 – Purling Hiss – High Bias
8 – Nine Inch Nails – Not The Actual Events
9 – P.J. Harvey – The Hope VI Demolition Project
10 – David Bowie – Blackstar

Também curti:

Bob Dylan – Fallen Angels
Pixies – Head Carrier
Metallica – Hardwired… To Self-Destruct
Bob Mould – Patch The Sky
Megadeth – Dystopia
Neil Young – Peace Trail
Warpaint – Heads Up

Não curti:

Blossoms – Blossoms
The xx – On Hold
The Last Shadow Puppets – Everything You’ve Come to Expect

A Falta de Música na Música do The Last Shadow Puppets

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Quando um roqueiro tira folga de sua banda de estreia pra experimentar a estrada no banco do motorista numa carreira solo, a cartilha tradicionalmente favorece o florescimento do lado mais pessoal e artístico do músico, que na maioria dessas ocasiões escolhe o tipo de som que não se sentiria confortável em usar na sua própria banda. John Lennon e George Harrison conquistaram a contra-cultura ao assumirem um estilo com que, nos Beatles, eles só tinham permissão para flertar. Robert Plant aposentou os amplificadores do Led Zeppelin para se dedicar a baladas íntimas e sussuradas nos anos 80. E Johnny Rotten, dos Sex Pistols, não só mudou de estilo, como também de nome – voltou a ser o John Lydon do nascimento – e matou a própria persona que usava pra anunciar, aos berros, a revolução punk.

O The Last Shadow Puppets uniu dois exemplos que prometiam se juntar a essa regra. Alex Turner, recém-saído da puberdade eletrônica que foram os dois primeiros álbuns do Arctic Monkeys, e Miles Kane, que não produziu tantos hits quanto seu novo parceiro, mas que causou pequena comoção na comunidade indie com os esforços dos The Rascals. Ao invés de se permitirem fazer a música que os representasse pessoalmente, porém, a dupla abriu a porta para a tentação das abstrações e arrogâncias, o que resultou em The Age of The Understatement (2008), álbum de estréia cujo título denuncia de cara a prepotência que os jovens guitarristas usavam como roupagem. A música encontrada do lado de dentro era por si só pálida, séria e incompreensivelmente sonolenta.

Se nesse LP faltava o cinismo do Radiohead e a piscada de olho satírica de Josh Homme (em praticamente tudo que faz), seu segundo e último trabalho, Everything You’ve Come to Expect repete no título e conteúdo a arrogância que destila juramentos de empatia sonora. O violinista canadense Owen Pallett completa a parte filarmônica do álbum, enfeitando os refrões de Turner e Kane com pouco mais que artifício de perfumaria. É quando se começa a sugerir a total falta de algo que se conecte ao que os dois pretendem passar. Turner e Kane usam riffs de simplicidade ditática para ressoar ecos insossos afetados exageradamente por algumas das composições e arranjos mais planos que já se ouviram no rock independente. Um dos carros-chefe, Bad Habits, repete estrofes indolores e acordes incapazes de causar um arranhão. E para cada sugestão de despertar, como em The Element of Surprise, se arrasatam mais dez minutos das aborrecidas Aviation e Used To Be My Girl.

É a participação de Pallett, no entanto, que parece inflar exageradamente o vazio lírico do disco e escancarar o que, em seus primeiros minutos, era apenas uma ameaça: Nunca, em tanto tempo dedicando-me a ouvir e amar rock, eu ouvi algo tão sem alma, sem coragem ou sem honestidade como esta compilação, que durante toda a sua extensão faz a escolha pela máscara da música pop corporativa ao invés de um convite ao pessoal e ao talento escondido.

Se lá no final dos anos 70 John Lydon mostrou quem ele realmente era ao usar sua nova Public Image Ltd. para compor canções desafiadoras e libertadoras, em Everything You’ve Come to Expect a libertação musical de Alex Turner e Miles Kane restringe-se ao idealismo: às vezes a única falha de um plano é a sua execução. No plano aparentemente infalível do The Last Shadow Puppets, as ideias talvez funcionariam se continuassem para sempre apenas como ideias.

 

oscar 2016: pitacos

Melhor Filme
Deve ganhar: 
O Regresso
Torço pra: Mad Max: Estrada da Fúria
Faltou: Ex Machina

Melhor Diretor
Deve ganhar: Alejandro G. Iñárritu
Torço pra: George Miller
Faltou: Ridley Scott (Perdido em Marte), Todd Haynes (Carol)

Melhor Ator
Deve ganhar: Leonardo DiCaprio
Torço pra: Leonardo DiCaprio
Faltou: Samuel L. Jackson (Os 8 Odiados), Jacob Tremblay (O Quarto de Jack)

Melhor Atriz
Deve ganhar: Brie Larson
Torço pra: Brie Larson
Faltou: Charlize Theron (Mad Max: Estrada da Fúria)

Ator Coadjuvante
Deve ganhar: Sylvester Stallone
Torço pra: Mark Rylance
Faltou: Will Poulter (O Regresso), Paul Dano (Love & Mercy), Todo o elenco de Spotlight

Atriz Coadjuvante
Deve ganhar: Rooney Mara/Alicia Vikander
Torço pra: Jennifer Jason Leigh
Faltou: Alicia Vikander (Ex Machina), Phylicia Rashad (Creed – Nascido Para Lutar)

Roteiro Original
Deve ganhar: Spotlight
Torço pra: Ex Machina
Faltou: Os 8 Odiados

Roteiro Adaptado
Deve ganhar: A Grande Aposta/O Quarto de Jack
Torço pra: A Grande Aposta
Faltou: Anomalisa

Filme de Animação
Deve ganhar:
 Divertida Mente
Torço pra: Todos
Faltou: The ProphetSnoopy & Charlie Brown: Peanuts, o Filme

Documentário
Deve ganhar: Amy
Torço pra: Amy
Faltou: Best of Enemies

Filme Estrangeiro
Deve ganhar: O Filho de Saul
Torço pra: O Filho de Saul
Faltou: As Mil e Uma Noites: Volume 2, O Desolado (Portugal)

Trilha Sonora
Deve ganhar: Os 8 Odiados
Torço pra: Os 8 Odiados
Faltou: Mad Max: Estrada da Fúria, Divertida Mente

Efeitos Especiais
Deve ganhar: O Regresso
Torço pra: Mad Max: Estrada da Fúria
Faltou: Homem-Formiga

Melhor Fotografia
Deve ganhar: O Regresso
Torço pra: Mad Max: Estrada da Fúria
Faltou: Perdido em MarteO Quarto de Jack

Canção Original
Deve ganhar: ‘Til it Happens to You, de The Hunting Ground
Torço pra: Manta Ray, de Racing Extinction
Faltou: Feels Like Summer, de Shaun: O Carneiro

Preferências – Melhor Filme:
1- Mad Max: Estrada da Fúria
2- A Grande Aposta
3- O Quarto de Jack
4- Perdido em Marte
5- Ponte dos Espiões
6- Spotlight
7- Brooklyn
8- O Regresso

 

 

 

 

 

 

top 10 álbuns de 2015

Crise econômica, desemprego, terrorismo, corrupção, desastre ambiental, minions, Eduardo Cunha, o pior time do Flamengo desde 95… 2015 foi um ano não só pra esquecer mas para selecionar, erradicar da memória coletiva e passar pra 2016 fingindo que não aconteceu. Na música não só não foi diferente, como aparentemente foi pior. Um ano tão fraco que dá concluir que as qualidades dos talentos musicais estão declinando na mesma proporção de velocidade com que os downloads ilegais são feitos. Ainda assim, ferramentas como Spotify e Deezer pouco fizeram para ajudar fãs e artistas nesse quesito, e o resultado é um ano fraco e sonolento para consumidores de música. Se não fosse pelo bom e velho metal, pelo bom e velho punk, pelo bom e velho bob dylan, desconfio se organizar uma lista de melhores discos do ano seria sequer possível.

Dentre os bons, porém, esses são os meus favoritos:

1. Kurt Vile – B’lieve I’m Goin’ Down
2. Sufjan Stevens – Carrie & Lowell
3. American Wrestlers – American Wrestlers
4. Iron Maiden – The Book of Souls
5. Bob Dylan – Shadows in the Night
6. Foo Fighters – Songs From the Laundry Room
7. Faith no More – Sol Invictus
8. Beach House – Thank Your Lucky Stars
9. Courtney Barnett – Sometimes I Sit and Think, and Sometimes I Just Sit
10. Girl Band – Holding Hands With Jamie

Também curti:

Cradle of Filth – Hammer of the Witches
Neil Young + Promise of the Real – The Monsanto Years
Foo Fighters – Saint Cecilia
Refused – Freedom
Mikal Cronin – MCIII
Death – N.E.W.
Kurt Cobain – Montage of Heck: The Home Recordings
Beach House – Depression Cherry
Nadine Shah – Fast Food
Sleater Kinney – No Cities to Love
Drenge – Undertow
Blur – The Magic Whip
Public Image Ltd. – What the World Needs Now

Não curti:

Father John Misty – I Love You, Honeybear
Belle and Sebastian – Girls in Peacetime Want to Dance
Best Coast – California Nights
Muse – Drones

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cisnes selvagens

O Swans é uma banda de percepções. Mesmo após ouvir um álbum completo do grupo, se convencer de que existem instrumentos sendo tocados, vozes cantando e uma etiqueta de um gênero para o som, é difícil convencer qualquer ouvinte de que o que ele acabou de escutar pode ser considerado música. Ao invés disso, prefere-se convencê-lo a perceber, dentro do retalho de sons que acabou de ouvir, algum significado, por mínimo e superficial que seja.

De fato, o concretismo sonoro do líder Michael Gira teve, em sua história, fases de questionamento artístico. Um dos EPs mais caóticos da banda, Young God, por exemplo, podia ter sido vendido como uma mixagem de efeitos sonoros roubados de um filme de terror. Outros álbuns mais “completos” sequer obedecem ao conceito primitivo de uma melodia. Sem harmonia, progressão, afinamento, os Swans ainda conseguiram o essencial: gente que os escutasse – mesmo que sem completamente entendê-los.

Para fins didáticos, porém, jornalistas preferem classificar a banda como post-punk, um termo tão vasto e abstrato que qualquer torneira pingando em cima de um tambor de pele de touro pode se enquadrar no gênero sem polêmicas. Nos últimos álbuns do grupo, o trabalho da turma de Michael Gira recebeu a recomendação de que talvez estivesse seguindo o post-rock: outro ninho de definição pra qualquer espécie, mas que é mais lembrado como sendo a propriedade privada de bandas como Sigur Rós e Mogwai.

De qualquer forma, qualquer gênero parece inútil assim que as primeiras guitarras da banda se fazem soar. Por isso mesmo, recomendar o Swans para alguém é que nem recomendar a uma pessoa que ela arranque a unha do dedão do pé, jogue sal e azeite dentro e depois pressione a unha de volta. É bem possível que ela vá odiar e nunca mais vai querer experimentar coisa parecida. É bem possível também que ela mude seus conceitos pessoais do que é música, do que é som e impulso harmônico, e das razões pelas quais ela escuta música, em primeiro lugar. Essas razões, desafiadas por Gira durante todos os mais de 30 anos de estrada de sua banda, parecem ter ficado um pouco mais claras (porém não mais confortáveis) com To Be Kind, sua última obra (prima). Na falta de exagero maior, continua sem parecer música, mas sim algo muito melhor, ainda sem definição e sem história, cuja aceitação é segurada pelo público que ainda não acredita estar preparado para algo tão desafiador e – por que não -, divino.