Resumo da ópera: Fiquei sozinho em casa, voltei a fazer trabalho de faculdade, procurei emprego e briguei no twitter.
No caso do último ítem, a treta ocorreu quando, na sexta, abri minha TL e vi um rapazinho se queixando do fato de sua professora ter sentido pena de um cachorrinho de rua e ter ido comprar comida para ele no bar da Faculdade. Indignidadíssimo, ele ainda ressaltou o fato da professora preferir se importar com um cachorro do que com seres humanos.
Pronto. Lá fui eu, me intrometer em algo do qual eu não tinha a ver, pra defender alguém que eu não conheço, por uma causa da qual eu não tenho participação ativa. Fui dar a minha opinião, mesmo sem ninguém ter perguntado por ela.
De esperado, o cara não se convenceu. Insistia na tecla do “Cachorro passou a valer mais que pessoas”, “Agora tem que tratar bicho igual gente”, etc. Continuei rebatendo, argumentando, esclarecendo, tentando fazer o dito cujo entender. Tão educadamente quanto possível.
Nada. Em um último fôlego, ele ainda fez referência ao último post desse blog: Pra um cara que é a favor do bullyng, que tipo de argumento vou ter eu…
Os que realmente leram o texto (e entenderam) viram que eu não defendia o bullying, mas sim criticava as campanhas anti-bullying, pedagogos, Ministério da Educação e Serginho Groisman, justamente por seus alvos estarem centralizados no agressor, quando deviam cada vez mais dar atenção ao lado de lá: Aconselhar o agredido, ensiná-lo a se defender e não deixar que isso afete sua vida.
Podia continuar aqui, argumentando, explicando, passando a limpo, dando a minha opinião. Podia. Podia, se mudasse a mente das pessoas, que é o que eu pretendia. Isso, como eu bem aprendi, não vai acontecer.
Pois bem. Agora chega. Sem parecer. Não dou a minha opinião sobre nada. Não me intrometo em nada. Não discuto sobre nada. E se me perguntarem, finjo um espasmo cerebral e respondo com um Dooh Dah, Dah, Dah Dooooh, Duh, Dah, Deh, Dah, Dooh-Dooh-Dooh-Dah-Da-Da.
Legalização do aborto? Dooh-Dooh-Dooh-Dah-Da-Da. Casamento gay? Dooh Dah, Dah, Dah Dooooh. Marcha da Maconha? Dah, Dah, Dah Dooooh, Duh, Dah. Rafaella Justus? Dooooh, Duh, Dah, Deh, Dah, Dooh-Dooh. Movimento anti-corrupção? Dah, Dooh-Dooh-Dooh-Dah-Da-Da. Eutanásia? DOOH-DAH-DOOH-DAH-DOOH-DOOH-DAH-DAH-DOOOOOOOOOH…
Agora é assim. Igual uma criança de sete anos. Que ainda não cresceu, não tem opinião formada nem sabe argumentar. E que só quer saber de brincar de Skyrim, ler A Song Of Ice and Fire e escutar Foo Fighters.